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Carrapato em cachorro: por que aparece no calor, como tirar com segurança e quando há risco para a família

Marcos Veloso AndradeMédico-veterinário, fundador e responsável técnico

Carrapato em cachorro é um parasita que se alimenta de sangue e pode transmitir doenças. Para retirar, use pinça de ponta fina rente à pele e puxe com pressão firme e contínua, sem torcer ou esmagar. Sem fogo, óleo ou esmalte. Como a maior parte do ciclo acontece no ambiente, trate também a casa e procure o veterinário para a prevenção.

Setembro e outubro trazem calor para Betim e, com ele, uma queixa que cresce nas conversas de tutores: "tirei um carrapato do cachorro e amanhã já tinha outro". A sensação de que o problema não acaba tem explicação biológica. O carrapato que você vê no cão é só uma parte da população, e o restante está escondido na casa, no canil e no quintal.

Aqui você vai entender o ciclo do carrapato-marrom, a espécie mais associada a cães que vivem em casas e quintais, saber onde procurar, como retirar sem aumentar o risco e em que situação o carrapato vira assunto de saúde da família, com os números de febre maculosa em Minas Gerais. Se o seu cão já está abatido, sem apetite ou com febre, não espere o fim da leitura: agende uma consulta veterinária para avaliação.

A revisão técnica sugerida para este conteúdo é da Dra. Waleska Aguiar, CRMV-MG 9468, coordenadora clínica do Reino Animal, graduada pela UNIUBE e com pós-graduação em Ortopedia e Fisioterapia pela UNIP.

Por que o carrapato em cachorro aumenta na primavera e no calor?

Resposta rápida

O carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus) se desenvolve mais rápido em temperaturas altas. Segundo revisão publicada na revista Parasites and Vectors (2010), a espécie pode completar até quatro gerações por ano em clima favorável, e cada fêmea põe em média de 1.500 a 4.000 ovos. No calor, o ciclo encurta e a infestação cresce.

O carrapato-marrom é de três hospedeiros: larva, ninfa e adulto sobem no cão para se alimentar e descem para o ambiente para trocar de fase ou pôr ovos. A mesma revisão, assinada pelo pesquisador Filipe Dantas-Torres, afirma que a espécie passa a maior parte da vida fora do animal. Isso explica por que tirar os carrapatos visíveis não resolve sozinho.

Na prática, um cão que pega poucos carrapatos em agosto pode estar com dezenas em outubro se o ambiente não for tratado. O estudo também registra que carrapatos expostos a temperaturas altas se fixam e se alimentam mais rápido, inclusive em pessoas, um dado que reforça a atenção redobrada nos meses quentes.

Onde o carrapato se esconde no corpo do cão e no quintal?

Resposta rápida

No cão, o carrapato prefere áreas de pele fina e quente: dentro e atrás das orelhas, entre os dedos, pescoço, axilas, virilha e ao redor do ânus. No ambiente, o carrapato-marrom é uma espécie que vive dentro de casa, subindo por paredes, móveis e tapetes e colocando ovos em frestas, rachaduras de muro e cantos do canil.

A revisão de Dantas-Torres descreve o carrapato-marrom como endofílico, ou seja, adaptado ao interior das construções, e cita frestas e rachaduras nas paredes como locais de postura dos ovos. Por isso, é comum encontrar carrapatos subindo na parede da área de serviço ou atrás de portas, longe do cachorro.

Para procurar no cão, passe os dedos devagar contra o pelo, como num carinho demorado, e sinta pequenos caroços. Olhe com atenção orelhas e espaços entre os dedos. No quintal, observe rodapés, batentes, casinha, frestas do muro, pilhas de telha ou tijolo e a cama do cão.

CaracterísticaCarrapato-marromCarrapato-estrela
Nome científicoRhipicephalus sanguineusAmblyomma sculptum, entre outras espécies de Amblyomma
Onde viveDentro de casas, canis e quintaisPastos, matas ciliares e áreas com capivaras e cavalos
Principal riscoDoenças do cão, como erliquiose e babesioseFebre maculosa brasileira em pessoas
Como chega ao cãoInfestação do próprio ambiente da casaPasseios em áreas verdes, sítios e beira de rio

Como tirar carrapato do cachorro com segurança?

Resposta rápida

Use uma pinça de ponta fina e segure o carrapato o mais rente possível à pele. Puxe com pressão firme e contínua, sem torcer nem dar trancos. Depois, limpe o local e lave as mãos. Coloque o carrapato em álcool ou em recipiente fechado e não o esmague com os dedos. Esse é o método orientado pelo CDC.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), em orientação atualizada em 2026, contraindica vaselina, calor, esmalte ou qualquer substância para "fazer o carrapato soltar", porque esses métodos podem agitar o parasita e fazer com que fluidos contaminados entrem na pele. Fogo e álcool aplicados sobre o carrapato ainda preso ao cão também podem queimar ou irritar a pele do animal.

Se parte da boca do carrapato ficar presa, não tente cavar a pele. Observe o local nos dias seguintes. Vermelhidão que aumenta, pus ou inchaço pedem avaliação veterinária. Se forem muitos carrapatos, se o cão for filhote ou se ele estiver agitado, a retirada pode ser feita no hospital com segurança para ambos.

Fale com a equipe do Hospital Veterinário Reino Animal.

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É perigoso carrapato em cachorro?

Resposta rápida

Sim. Além de causar coceira, feridas e, em infestações intensas, perda de sangue, o carrapato-marrom pode transmitir microrganismos que atacam o sangue do cão. As doenças mais conhecidas são a erliquiose e a babesiose, chamadas popularmente de doença do carrapato, que podem evoluir sem sinais claros no começo.

Febre, apatia, falta de apetite, sangramento pelo nariz, manchas roxas na pele ou na gengiva e urina escura são sinais que pedem consulta. O diagnóstico depende de exame físico e de exames laboratoriais, como hemograma, e só o veterinário pode confirmar a doença e indicar o tratamento. Nunca use remédio humano ou receita caseira.

Cão com carrapato recente que fica prostrado, para de comer, sangra pelo nariz ou apresenta gengivas pálidas precisa de avaliação no mesmo dia. Em caso de suspeita, não espere: procure atendimento imediatamente.

Carrapato de cachorro pega em humano? O risco da febre maculosa

Resposta rápida

Pode picar, mas o risco maior para pessoas vem do carrapato-estrela, do gênero Amblyomma, que transmite a febre maculosa brasileira. O cão entra nessa história como transportador: ao passear em pasto, mata ou beira de rio, pode trazer carrapatos-estrela para casa. A doença humana é grave e tem tratamento, desde que iniciado cedo.

A Secretaria da Saúde do Paraná aponta cães, cavalos, capivaras e bois entre os animais que participam do ciclo e estima que o carrapato precisa ficar preso por cerca de 4 a 6 horas para transmitir a bactéria, com incubação de 2 a 14 dias. O Ministério da Saúde reforça que, quanto mais rápido os carrapatos forem retirados do corpo, menor o risco.

Minas Gerais convive com a doença todos os anos. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgados pela imprensa, o estado confirmou 36 casos e 11 mortes por febre maculosa em 2026, até 27 de agosto. Em 2025, reportagem baseada no boletim da SES-MG registrou que a doença é mais frequente no período seco, especialmente entre abril e outubro. Quem mora em Betim, Igarapé, Juatuba ou São Joaquim de Bicas e frequenta sítios ou áreas de beira de rio deve inspecionar o próprio corpo e o do cão ao voltar. Febre, dor de cabeça forte e manchas vermelhas após contato com carrapato pedem atendimento médico imediato para a pessoa.

Como prevenir carrapato com orientação veterinária

Resposta rápida

A prevenção combina três frentes: proteção contínua do cão com produto indicado pelo veterinário, limpeza e tratamento do ambiente e inspeção frequente do pelo, principalmente após passeios. Como a maior parte do ciclo acontece fora do cão, tratar só o animal ou só a casa costuma falhar.

Existem antiparasitários em comprimido, pipeta e coleira, e a escolha depende de idade, peso, raça, gestação, doenças prévias e convivência com gatos, já que alguns princípios ativos seguros para cães são tóxicos para felinos. Por isso a indicação é individual e feita em consulta. No ambiente, aspirar frestas e rodapés, lavar a cama do cão, manter a grama baixa e vedar rachaduras de muro reduzem os esconderijos. Produtos para ambiente devem ser usados conforme orientação técnica, com o pet fora do local durante a aplicação.

Como o Reino Animal Betim atende casos de carrapato

Resposta rápida

No Reino Animal Betim, o cão com carrapato passa por consulta clínica, e quando há suspeita de doença transmitida pelo parasita, o hospital tem laboratório próprio com resultado na hora, inclusive de madrugada. Casos graves seguem para internação e UTI no mesmo prédio, sem transferência do animal.

O hospital atende em Betim desde 1987, foi certificado como hospital veterinário pelo CRMV-MG em 2016 e funciona 24 horas, todos os dias, com equipe médica presencial no plantão. Na consulta, o veterinário explica antes de fazer, apresenta o orçamento antes da decisão e orienta o plano de prevenção adequado ao seu cão e à sua casa. Se o quadro piorar fora do horário comercial, a emergência 24 horas atende sem agendamento, com triagem por gravidade.

Seu cão está com carrapato? Consulta clínica com laboratório no mesmo prédio e orientação de prevenção para o cão e para a casa.

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Perguntas frequentes

O que atrai carrapatos em cachorro?

O fator que mais pesa é o ambiente: casas, canis e quintais com frestas e sem tratamento mantêm a população ativa, e o calor acelera o ciclo.

O que fazer quando ver um carrapato no cachorro?

Retire com pinça de ponta fina, rente à pele, com puxão firme e contínuo, sem torcer nem esmagar. Limpe o local, lave as mãos e examine o restante do corpo. Depois, procure o veterinário para definir a prevenção e observe o cão nas semanas seguintes.

O que é bom para matar carrapatos em cachorro?

Existem antiparasitários de uso veterinário em diferentes formas, mas a escolha depende de peso, idade, saúde e convivência com gatos. Receitas caseiras, óleo, querosene e produtos de uso agrícola podem intoxicar o animal. A indicação deve ser feita pelo veterinário.

Carrapato em cachorro pega em humano?

O carrapato-marrom pode picar pessoas, principalmente em infestações intensas. O risco de febre maculosa está ligado ao carrapato-estrela, que o cão pode trazer de áreas verdes. Retire carrapatos do próprio corpo rapidamente e procure atendimento médico se tiver febre depois.

Atendimento veterinário 24 horas em Betim. Hospital Veterinário Reino Animal, R. Inspetor Jaime Caldeira, 701, Brasiléia, Betim, MG, CEP 32600-286. Telefone (31) 3532-3048. Estacionamento no local.

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Sobre o autor

Marcos Veloso Andrade

Médico-veterinário, fundador e responsável técnico

Marcos Veloso Andrade, médico-veterinário, abriu o Reino Animal em 1987 e conduziu a transformação de clínica de bairro em hospital certificado pelo CRMV-MG, acompanhando o crescimento de Betim por quase quatro décadas.

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