Fauna silvestre em Betim: encontrei um animal silvestre, o que fazer?
Marcos Veloso AndradeMédico-veterinário, fundador e responsável técnico
Ao encontrar um animal silvestre em Betim, mantenha distância, afaste crianças e pets e não tente capturar, alimentar ou levar para casa. Se ele estiver ferido, preso ou em risco, acione a Polícia Militar de Meio Ambiente ou os Bombeiros (193). Animal saudável e solto deve apenas seguir seu caminho.
Um gambá atrás da caixa d'água, um filhote de sabiá pulando no quintal, uma serpente no canteiro de obras. Em Betim e nas cidades vizinhas, cercadas por áreas verdes e por expansão urbana e industrial, esses encontros são frequentes, e a primeira reação costuma ser pegar o animal para "ajudar". Na maior parte das vezes, essa é justamente a atitude que mais atrapalha.
A fauna silvestre é, pela definição do Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), o conjunto de animais de espécies nativas, migratórias e quaisquer outras que tenham todo ou parte do ciclo de vida dentro do território brasileiro. Esses animais são protegidos por lei, e a forma correta de agir depende da situação: se o bicho está saudável, ferido, preso ou oferece risco.
Nas próximas seções você encontra o passo a passo para o cidadão, os contatos certos na região e, para quem responde por obras e empreendimentos, o que a legislação exige no manejo de fauna. A dois dias do Dia Mundial dos Animais, em 4 de outubro, esse conhecimento protege gente e bicho ao mesmo tempo. E se o seu caso é uma ave, um réptil ou um pequeno mamífero de criação legal, o caminho é outro: o atendimento veterinário de pets exóticos em Betim.
Encontrei um animal silvestre em Betim: o que fazer primeiro?
Resposta rápida
O primeiro passo é observar à distância, sem tocar. Afaste crianças, cães e gatos, feche o acesso ao cômodo se o animal entrou em casa e deixe uma saída livre para ele. Se estiver saudável e solto, a orientação oficial é deixá-lo seguir. Só peça resgate quando houver ferimento, animal preso ou risco real.
Essa orientação vem do próprio IEF-MG. Em seu documento de perguntas frequentes sobre os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), o órgão afirma que o animal silvestre deve permanecer solto, a não ser que esteja realmente em risco ou colocando em risco a vida de alguém, e que a simples presença dele em ambiente urbano não é considerada ameaça. O mesmo texto lembra que esses animais geralmente fogem de humanos e só ficam agressivos quando estão feridos, acuados, com fome ou protegendo filhotes.
Na prática, isso significa não encurralar, não jogar água, não tentar espantar com vassoura e não oferecer comida. Alimento exposto, como ração de pets, frutas e restos, é o principal atrativo que traz gambás, micos e aves para perto das casas, segundo o IEF-MG. Recolher a ração à noite e vedar frestas em telhados e forros resolve boa parte das visitas indesejadas.
Animais venenosos, peçonhentos, de porte grande, acuados, feridos ou com filhotes não devem ser manipulados nem capturados por pessoas sem treinamento, orienta o IEF-MG. Nesses casos, mantenha distância e ligue para os Bombeiros (193).
O que fazer com filhote de ave, gambá ou serpente?
Resposta rápida
Cada caso tem uma conduta. Filhote de ave com penas, pulando no chão, geralmente acabou de deixar o ninho e os pais estão por perto. Gambá no quintal quase sempre está só de passagem em busca de comida. Serpente exige distância total e acionamento dos Bombeiros. Em nenhum dos três casos o animal deve ser levado para casa.
Filhote de ave caiu do ninho: devo recolher?
Na maioria das vezes, não. Segundo o professor Everton Rodolfo Behr, do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, 2023), filhotes encontrados fora do ninho costumam ser aves que acabaram de sair dele e continuam sendo alimentadas pelos pais, que investiram muito tempo e energia na cria. A intervenção só se justifica diante de ferimento visível ou fraqueza intensa. Se estiver ferido, acione o resgate e mantenha cães e gatos longe até a chegada da equipe.
O calendário ajuda a entender por que esses encontros aumentam agora. O IEF-MG informa que a época de reprodução das aves vai de setembro a março e que, nesse período, o tempo de atendimento dos chamados pode ser longo pelo volume de ocorrências. O órgão também lembra que destruir ninhos é crime ambiental pela Lei 9.605/1998 e que o período entre a postura dos ovos e a saída dos filhotes leva de 40 a 60 dias.
Quem chamar para retirar gambá?
O gambá é um marsupial nativo, citado pelo IEF-MG entre os animais que se adaptaram às cidades e que devem permanecer soltos quando não há risco. Se ele estiver apenas de passagem, feche portas, recolha a comida e dê tempo para que ele saia por conta própria, sem encurralar. Se estiver ferido, preso em forro ou com filhotes em local de risco, acione a Polícia Militar de Meio Ambiente ou os Bombeiros.
Encontrei uma serpente: o que fazer?
Não tente matar, capturar ou fotografar de perto. Afaste pessoas e pets, observe de longe para onde ela se desloca e ligue para os Bombeiros (193). Matar animal silvestre também é crime previsto no artigo 29 da Lei 9.605/1998, e a tentativa de captura expõe a pessoa ao risco de picada. Se alguém for picado, procure imediatamente atendimento de saúde humana; se for o seu cão ou gato, procure o plantão veterinário sem esperar sinais.
| Situação | O que fazer | Quem acionar |
|---|---|---|
| Animal silvestre saudável e solto (gambá, mico, ave, capivara) | Manter distância, recolher alimentos, deixar saída livre | Ninguém, se não houver risco |
| Filhote de ave com penas no chão | Não recolher, observar à distância, afastar pets | Resgate só se houver ferimento ou fraqueza |
| Animal ferido, preso ou acuado | Não manipular, isolar a área | Polícia Militar de Meio Ambiente ou Bombeiros (193) |
| Serpente ou animal peçonhento | Afastar pessoas e pets, não matar | Bombeiros (193) |
| Animal silvestre mantido ilegalmente em casa | Entrega voluntária no Cetras, sem penalidade | Cetras do IEF-MG |
| Maus-tratos ou tráfico de fauna | Denunciar, mesmo anonimamente | Disque Denúncia 181, SEMAD 155 ou Linha Verde do IBAMA |
Fale com a equipe do Hospital Veterinário Reino Animal.
Tenho ave, réptil ou pequeno mamífero de criação legal e preciso de orientação
Quem chamar para resgatar animal silvestre em Betim?
Resposta rápida
Em Minas Gerais, o recolhimento de animais silvestres é feito pela Polícia Militar de Meio Ambiente e pelo Corpo de Bombeiros (193), e não pelos Cetras. A prioridade de atendimento vai para animais presos, feridos ou estressados. Quando o transporte é seguro, o próprio cidadão pode levar o animal ao Cetras mais próximo, que, para Betim, fica em Belo Horizonte.
A distinção importa porque muita gente liga direto para o centro de triagem. O IEF-MG esclarece que os Cetras são unidades aptas a receber, identificar, triar, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar a fauna, mas não fazem o recolhimento. A unidade de Belo Horizonte funciona na Avenida do Contorno, 8121, bairro Lourdes, com telefone (31) 3555-6100.
O volume de trabalho é grande. Segundo a Agência Minas (2026), os centros do estado recebem cerca de 8 mil animais silvestres por ano e devolvem aproximadamente 5 mil à natureza depois da reabilitação, com cinco unidades em operação: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Divinópolis e Patos de Minas.
Posso cuidar de um animal silvestre em casa?
Resposta rápida
Não. Manter animal silvestre sem autorização é crime ambiental, mesmo que ele tenha sido resgatado ferido e esteja bem cuidado. A Lei 9.605/1998 prevê detenção de seis meses a um ano e multa para quem guarda ou mantém em cativeiro espécimes da fauna silvestre sem licença. A entrega voluntária no Cetras não gera penalidade.
O artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais inclui, entre as condutas puníveis, guardar, ter em cativeiro, utilizar ou transportar espécimes da fauna silvestre sem permissão. O IEF-MG reforça que a posse ilegal, mesmo com boa intenção, estimula a retirada de animais da natureza, e que quem entrega o animal voluntariamente recebe apenas um termo que comprova o ato.
Existe ainda a questão clínica. Cada espécie tem dieta, temperatura e manejo próprios, e o professor Behr, da UFSM, observa que a mortalidade é alta mesmo sob cuidado profissional por causa da dificuldade de alimentação em cativeiro. Aves, répteis e pequenos mamíferos de estimação existem de forma legal, mas vêm de criadouros autorizados, com anilha ou microchip, nota fiscal e documentação de origem.
O que é resgate e manejo de fauna em obras e licenciamento ambiental?
Resposta rápida
Manejo de fauna é o conjunto de ações exigidas de empreendimentos que impactam animais silvestres: levantamento, monitoramento, salvamento, resgate e destinação. A Instrução Normativa IBAMA 146/2007 define esses critérios para atividades sujeitas a licenciamento ambiental, e obras como rodovias, dutos e mineração costumam precisar de equipe e suporte veterinário.
Segundo a IN IBAMA 146/2007, os procedimentos valem para áreas de influência de empreendimentos com impacto efetivo ou potencial sobre a fauna, nos termos da Lei 6.938/1981 e das Resoluções CONAMA 001/1986 e 237/1997. Em licenciamentos federais, a IN IBAMA 8/2017 regula ainda a autorização de captura, coleta e transporte de material biológico para levantamento, monitoramento e resgate. Em Minas, o Decreto Estadual 47.383/2018 trata do licenciamento e tipifica infrações contra a fauna.
Para a gestora ambiental, o ponto sensível é o que acontece depois da captura. Animal resgatado ferido precisa de avaliação clínica, eventual internação e registro técnico que sustente a destinação correta perante o órgão licenciador. A Dra. Bruna Alvarenga (CRMV-MG 21647), revisora sugerida deste conteúdo e integrante do corpo clínico do Reino Animal, tem formação voltada a silvestres e exóticos pelo UNIBH e participou em 2019 do Programa de Afugentamento, Salvamento e Resgate de Fauna da Rodovia MG-050.
Como o Reino Animal Betim atende exóticos e empresas com demanda de fauna?
Resposta rápida
O Hospital Veterinário Reino Animal, em Betim desde 1987, tem área de exóticos com fluxo separado para aves, répteis e pequenos mamíferos de criação legal, e plantão 24 horas que também recebe essas espécies. Para empresas, oferece resgate, destinação e suporte veterinário a licenciamento ambiental, com resposta técnica documentada sob contrato.
Para o tutor, a área de exóticos cobre consulta, exames, cirurgia com sedação, internação e atestado de viagem, com vacinação por protocolo de espécie. A emergência funciona sem agendamento e com triagem por gravidade no pronto atendimento veterinário 24 horas. Quem cria silvestres ou exóticos legalizados também encontra no Plano Pet Clube a única modalidade da região voltada a esse grupo.
Para empresas, a experiência inclui contratos já atendidos com Petrobras, Vale, Ambipar, Sete Ambiental, CONCREMAT e GASMIG, e o hospital recebeu a Moção de Congratulação 382/2025. A estrutura no mesmo prédio, com laboratório próprio, raio-X 24h, ultrassom, centro cirúrgico e UTI, permite dar resposta clínica ao animal resgatado sem depender de terceiros. A trajetória completa está na página sobre a história do Reino Animal Betim, e propostas podem ser solicitadas pelo contato comercial do hospital.
Sua empresa tem demanda de fauna em obra ou licenciamento? Resgate, destinação e suporte veterinário a licenciamento ambiental, com resposta técnica documentada sob contrato. Estrutura hospitalar 24 horas em Betim.
Perguntas frequentes
Onde posso entregar um animal silvestre?
A entrega deve ser feita em um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) do IEF-MG. Para quem está em Betim, a unidade mais próxima fica na Avenida do Contorno, 8121, em Belo Horizonte, telefone (31) 3555-6100. A entrega voluntária não gera penalidade.
O IBAMA resgata animais silvestres?
Em Minas Gerais, o recolhimento cotidiano de animais silvestres é feito pela Polícia Militar de Meio Ambiente e pelo Corpo de Bombeiros (193). O IBAMA recebe denúncias pela Linha Verde (0800-618080) e atua na fiscalização e no licenciamento federal.
Quem chamar para retirar gambá?
Se o gambá está saudável e só de passagem, não é preciso chamar ninguém: recolha a comida, feche portas e deixe uma saída livre. Se estiver ferido, preso ou em local de risco, acione a Polícia Militar de Meio Ambiente ou os Bombeiros (193).
Posso ficar com um filhote de passarinho que encontrei?
Não. Manter ave silvestre sem autorização é crime pela Lei 9.605/1998, e filhotes fora do ninho geralmente continuam sendo alimentados pelos pais. Se o filhote estiver ferido, acione o resgate para que ele seja levado ao Cetras.
O Reino Animal atende pets exóticos de criação legal?
Sim. O hospital atende aves, répteis e pequenos mamíferos de criação legal em área com fluxo separado, incluindo consulta, exames, cirurgia com sedação, internação e emergência 24 horas.
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem a avaliação de um médico-veterinário. Se o seu pet apresentar algum dos sinais descritos, procure atendimento. Em caso de acidente com animal peçonhento envolvendo pessoas, procure imediatamente um serviço de saúde humana.
Ave, réptil ou pequeno mamífero de estimação? Tem atendimento 24 horas em Betim. Hospital Veterinário Reino Animal: R. Inspetor Jaime Caldeira, 701, Brasiléia, Betim, MG, CEP 32600-286. Telefone (31) 3532-3048. Área de exóticos com fluxo separado e plantão presencial todos os dias.
Fontes
- Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG), Perguntas frequentes: Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), acesso em set/2026
- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Revista Arco, O que fazer ao encontrar um filhote de pássaro fora do ninho?, Everton Rodolfo Behr, 2023
- Presidência da República, Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), artigo 29
- IEF-MG, Contatos e cidades dos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres de Minas Gerais, acesso em set/2026
- Agência Minas, Minas Gerais devolve cerca de 5 mil animais silvestres por ano à natureza com atendimento especializado, abril de 2026
- IBAMA, Instrução Normativa nº 146, de 10 de janeiro de 2007 (manejo de fauna silvestre em licenciamento)
- IBAMA, Instrução Normativa nº 8, de 14 de julho de 2017 (Abio em licenciamento federal)
Sobre o autor
Marcos Veloso Andrade
Médico-veterinário, fundador e responsável técnico
Marcos Veloso Andrade, médico-veterinário, abriu o Reino Animal em 1987 e conduziu a transformação de clínica de bairro em hospital certificado pelo CRMV-MG, acompanhando o crescimento de Betim por quase quatro décadas.



